O que se pode entender por estrutura emocional no trabalho? E qual as implicações disso para a saúde mental?
Quando se pensa em estrutura, é possível imaginar algo que dá sustentação a alguma coisa, como uma armação. Que tal pensarmos que nós próprios somos esta armação, na qual nossas emoções estão ancoradas, como alegria, tristeza, raiva, medo, aversão, ciúme, satisfação, coragem, desapontamento, ansiedade, indiferença, agonia, ódio, apreensão; a lista é enorme.
Sim, somos esta estrutura de emoções e todas estão conosco, o tempo todo, em qualquer lugar, inclusive no ambiente de trabalho, um meio social permeado de relações desejadas e não desejadas, de conflitos saudáveis e não saudáveis.
Nas esferas organizacionais nossa estrutura emocional tem que conviver com outras estruturas, como as de poder, de autoridade e do jogo de influências. Também, temos que manejar as emoções para nos adequarmos à cultura da instituição. Aqui entra a importante e árdua tarefa de gerenciar as emoções, já que é preciso despender de muita energia para fazer um esforço constante e intencional, a afim de tentar convencer as outras pessoas de que estamos sentindo uma particular emoção, requisitada para cumprir uma certa tarefa, em um dado momento.
Este embate entre o que sentimos e o que precisamos demostrar que estamos sentindo, gera angústia, emoção que age silenciosamente e dá sinais corporais de um mal-estar incômodo e desconhecido. Conforme pontuou Freud (1930), o propósito central da civilização é reprimir nossos instintos agressivos, mas isso pode exigir um sofrimento insuportável. A sensação que podemos ter é que estamos abrindo mão de nós mesmos, sacrificando nossa essência, em troca de sobreviver em um dado sistema.
É fundamental refletir o quanto cada um está disposto a sacrificar suas emoções e por quanto tempo isso é possível, sem que a saúde mental seja comprometida. O equilíbrio emocional é único de cada ser, portanto reflita sobre o seu; perceba-se e demonstre-se sempre que possível. Um processo de análise permite nos avaliar ao longo de nossa história, entender nossos processos emocionais e criar espaço interno para digerir melhor o que acontece em nossas relações, perceber a nossa participação em tudo que acontece em nossa volta.
Patrícia Cury – Psicóloga CRP 08/30507
FREUD, S. (1930). O mal-estar na civilização. Obras psicológicas completas de Sigmund Freud, vol. 21. Rio de Janeiro: Imago, 1996.


